A origem do Natal é bíblica ou pagã? – Fale com Deus

 

Qual a origem do Natal? Seria realmente uma festa pagã ou é totalmente cristã? O dia 25 de dezembro é mesmo a data que “Jesus” nasceu? Será que os discípulos diretos do Salvador também celebravam essa festa, ou teria ela realmente origens idólatras, como várias pessoas tem alegado ultimamente?

 

O antigo Natal romano: a saturnália.

Saturnália era um feriado romano destinado a dar as boas-vindas ao inverno.
Saturnália era um feriado romano destinado a dar as boas-vindas ao inverno.

Podemos dizer que a Saturnália é o antigo Natal romano que ajudou a dar origem ao Natal cristão. Essa festividade acontecia no final do mês de dezembro e celebrava o deus romano Saturno (conhecido pelos gregos como Cronos).

Segundo as lendas, e resumidamente, Saturno foi exilado de seu reino em determinado momento. Ele então é aprisionado no Tártaro, um local remoto e sombrio; depois reaparece no Lácio, região da Itália central. Lá ele instaura um período de paz e prosperidade. Neste tempo, ele teria transmitido ao homem conhecimentos da agricultura (por isso também é considerado o deus da agricultura).

Na cidade italiana ele se transforma, adota um comportamento renovado e forma uma nova família. Em Roma, foi edificado um templo e um altar a Saturno, localizados logo na entrada do Fórum, no Capitólio. Suas ruínas podem ser vistas até os dias de hoje.

Ruínas do templo do deus saturno em Roma
Ruínas do templo do deus saturno em Roma.

No entanto, temerosos de que a divindade deixasse o local que lhe servia de morada, ataram sua estátua com tiras de lã, só o liberando durante a realização das Saturnais, que são essas festas de caráter popular que ocorriam durante o Solstício de Inverno (a noite mais longa do ano no hemisfério norte).

Estas festividades tinham por objetivo restaurar temporariamente a era dourada em que a paz reinava absoluta sob o governo de Saturno na Itália.

Ao longo de uma semana, os dominadores serviam seus escravos; todas as tarefas e combates eram suspensos; fartos banquetes eram servidos para todos. Essa atmosfera de liberdade chegava ao auge com a ocorrência de orgias desmedidas.

O dia em que Saturno reinava acima de todos os deuses era o sábado. Provavelmente daí vem o nome desse dia em inglês, isto é, Saturday (dia de Saturno).

Mas onde que acontece a origem do Natal cristão em meio a isso tudo?

Em uma das principais celebrações do Cristianismo, hoje marcada por árvores luminosas, Papai Noel, manjedouras, presépios, comidas típicas e reuniões familiares, parece difícil notar qualquer vestígio da cultura romana antiga, não é verdade?! Especialmente porque, por mais de cinco séculos, o Império Romano era um povo que acreditava em múltiplas divindades e absorvia várias culturas.

A escolha de 25 de dezembro como a data do nascimento de Jesus não tem nada a ver com a Bíblia; ao contrário, foi uma escolha bastante consciente e explícita de usar o solstício de inverno para simbolizar o papel de Cristo como a luz do mundo, diz Diarmaid MacCulloch, professor de história da Igreja na Universidade de Oxford, no Reino Unido, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Os costumes festivos e desregrados da Saturnália na mesma época do ano naturalmente migraram para a prática cristã, uma vez que no século 4 o Cristianismo1 estava se tornando mais proeminente na sociedade romana. As novas crenças seriam mais bem aceitas se não entrassem em conflito com antigos costumes não cristãos, acrescentou.

1) Veja também o estudo “O que é o cristianismo, quem o criou e como surgiu“.

Mas quando ocorreu esse encontro entre os ritos romanos e as celebrações cristãs, e como Natal de nossos dias teve origem aí?

Durante Saturnália, havia espécie de inversão de papéis: homens vestidos de mulheres e senhores vestidos de escravos
Durante Saturnália, havia espécie de inversão de papéis: homens vestidos de mulheres e senhores vestidos de escravos.

A Saturnália era um festival realizado pelos romanos antigos para celebrar o que chamavam de “renascimento” do ano, para marcar o solstício de inverno no calendário juliano (prevalente no império romano e na Europa durante séculos) que, curiosamente, era celebrado em 25 de dezembro. Porém, a festa começava oito dias antes, em 17 de dezembro.

Algumas das semelhanças deste festival com o Natal desenvolvido ao longo das eras são as casas decoradas com folhagens, velas que eram acesas e… presentes que eram trocados.

Essa celebração era realizada em homenagem ao deus Saturno (daí o nome) e sempre foi caracterizada pelo relaxamento da ordem social e pelo clima de carnaval, diz a historiadora Marguerite Johnson, da Universidade de Newcastle, na Austrália.

Marguerite esclarece ainda que Saturno era o deus do tempo, da agricultura e das coisas sobrenaturais. Como os dias encurtavam e de alguma forma a terra morria simbolicamente, era necessário que o deus do tempo e da comida ficasse feliz. E como parte dessa tradição de agradar a divindade e outras pessoas, os presentes foram introduzidos.

Como parte das festividades, os romanos trocavam presentes: velas, chinelos de lã, chapéus e até meias. E o faziam entre famílias, enquanto os escravos desfrutavam de tempo livre.”

Mas a historiadora lembra que, além da festa da Saturnália, os romanos tinham outra celebração importante: a do “nascimento do sol invicto ou não conquistado” (Natalis Solis Invicti), que era celebrado todo dia 25 de dezembro, segundo diversos documentos dos tempos romanos. E é desse evento que vamos falar a partir de agora.

Dia 25 de dezembro, o nascimento do deus Sol Invicto e a origem do Natal cristão.

De acordo com Plutarco, o culto de Mitra (divindade ligada ao sol) pode ter surgido a partir dos soldados romanos que atuaram na Anatólia. Eles teriam importado a divindade de cultos locais para o Império, misturando com outras referências. Entre elas, por exemplo, está o sincretismo da religião persa com o helenismo.

Fontes indicam que em 25 de dezembro de 274 EC, o imperador romano Aureliano tornou o culto ao deus Sol invencível oficial ao lado dos cultos romanos tradicionais. O escolha de tal dia para a incorporação da celebração ao ídolo não é por acaso, pois antes de marcar o Natal cristão, o dia 25 de dezembro já era celebrado por seguidores de Mitra. Os romanos celebravam o deus nessa data, cultuando o Sol durante o velho solstício de inverno.

Mitra nasceu de uma rocha coberta de folhas, com uma tocha e um punhal em mãos. Durante uma grave seca que assolou a humanidade, ele teria salvado o povo após fazer água jorrar de um rochedo. Além disso, foi ele quem perseguiu e encurralou o touro cósmico. Depois de sacrificar o touro, ele usa seu sangue para fazer nascer o trigo e o sêmen para fazer plantas e animais.

Na verdade, desde 146 AEC, com a adoção das religiões gregas pelos romanos, Mitra já havia sido identificado com o deus sol invicto.

estátua de mitra
Escultura de Mitra e o touro no Museu Britânico, em Londres

Além disso tudo, outras religiões ainda mais antigas tinham o 25 de dezembro (e o solstício de inverno) como data de comemoração. Os antigos gregos cultuavam Dioniso, deus do vinho, do teatro e das festas; os egípcios, na mesma data, lembravam a morte do deus Osíris, e há intrigantes semelhanças das celebrações natalinas com o culto a Tamuz, um deus sumério mencionado na Bíblia em Ez 8:14, como levar um pinheiro para dentro de casa durante o inverno e enfeitá-lo, algo já mencionado na Bíblia em Jr 10:3-4. Mas não vamos entrar nestes detalhes agora para não alongar tanto nosso conteúdo.

Quando o Natal (nascimento) do deus Sol Invicto se tornou cristão?

Como temos visto, o nascimento do Natal cristão (além dos outros elementos envolvidos nele) foi um processo gradual proveniente da mistura de várias crenças e tradições. À medida que o cristianismo se tornou mais arraigado no mundo romano (séculos 2 a 6), as antigas religiões foram sendo subvertidas ou ganhando novas roupagens, pois os cristãos foram se adaptando aos ritos nelas estabelecidos e os tornaram seus.

No entanto, os discípulos de Yeshua certamente não comemoravam essa festa, ainda mais pelo fato de serem judeus e terem sua própria cultura vinda da Torá (Lei de Deus) e das tradições históricas de seu povo (os fiéis que não eram judeus eram discípulos dos judeus – vide At 13:42-44, por exemplo). Além do mais, como dissemos, o Natal cristão só veio a existir em meados do século 4 EC (como vamos mostrar mais adiante), até antes disso tratava-se de outras festividades ligadas aos deuses e às culturas das nações.

Então, festividades idólatras antigas se misturaram com figuras do cristianismo dos pais da Igreja para dar origem ao Natal do novo deus-menino. A data do nascimento deste foi consolidada em lugar do nascimento de Mitra quando entre os anos 320 e 353, o Papa Júlio 1º fixou a solenidade do Natal em 25 de dezembro, talvez como estratégia para converter os romanos.

O 1º Natal foi celebrado em Roma pela 1ª vez em 25 de dezembro do ano 336.

Pouco tempo depois, o papa Júlio I formalizou o 25 de Dezembro como data do Natal pela Igreja Católica. Com a oficialização do cristianismo pelo Edito de Tessalônica, de Teodósio, em 380, o Natal tornou-se comemoração do império. Foi por essa época, também, a escolha do domingo, o Dies Solis (Dia do Sol) como Dies Dominicus, “Dia do Senhor”2.

2) Veja também nosso estudo: “Seria o domingo o dia do Senhor?“

Ganhando popularidade, no ano 449 o Papa Leão I estabeleceu a data para a comemoração do nascimento de Jesus como uma das principais festas da Igreja Católica; e finalmente o Imperador Justiniano, em 529, a declarou feriado oficial do império.

Isso tudo deveria ser no mínimo intrigante para os cristãos evangélicos (não-católicos), pois eles continuam a comemorar eventos fixados por padres e papas, com quem conservam grande rivalidade doutrinária e teológica até os dias de hoje.

Devido a origem idólatra do Natal, os cristãos deveriam celebrá-lo?

Não obstante esses conhecimentos se tornarem cada vez mais populares, cristãos e igrejas do mundo todo ignoram tais fatos e continuam fazendo uso dessa data para celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Mas deveriam os cristãos realmente comemorar a nova roupagem da Saturnália romana, chamada Natal?

A resposta é um taxativo sim! Os cristãos devem celebrar o Natal porque essa foi uma determinação dos fundadores de sua religião, os papas católicos antigos. Eles criaram o deus Cristo, deus-menino, deus-filho ou deus-homem, e fixaram a data de seu nascimento em 25 de dezembro, dando nova roupagem ao nascimento do antigo deus-sol invicto. Será que o sol pintado nas gravuras em volta da cabeça dos personagens do cristianismo não tem a ver com tudo isso?

Mas a pergunta que não quer calar é, será que o Messias prometido por Deus através dos profetas de Israel nas Escrituras Hebraicas realmente nasceu em 25 de dezembro? Já sabemos que não, pois como vimos, o dia 25 de dezembro e seu Natal, que correspondem ao nono mês do calendário hebraico (Kislev), tem origem em cultos de crenças não bíblicas e festividades religiosas antigas das nações. Além disso, algumas indagações podem confirmar que a data de nascimento do Mestre Nazareno de fato não foi durante o inverno do hemisfério norte.

Yeshua nasceu em dezembro?

Outras figuras, ao longo do tempo, continuaram a se misturar com o maior feriado do ano. Hoje em dia há por exemplo o Papai Noel, duendes serviçais, renas voadoras, bonecos de neve e tudo mais. Mas embora essa festividade tenha sido moldada ao longo das eras por crenças idólatras, em nossos dias a maioria das pessoas não pensam em divindades antigas quando celebram o Natal, na verdade a grande maioria nem sequer ouviram falar delas.

Para a maioria das pessoas o Natal trata-se apenas de um feriado de fim de ano onde junta-se a família, faz-se comidas típicas, pratica-se alguma caridade, coloca-se um gorro vermelho para tirar fotos, distribui-se presentes para as crianças, e lembra-se de um certo deus-menino, ou um deus que foi feito homem, outro fruto da mistura de crenças religiosas antigas3.

3) Para mais informações, leia o estudo “Shema Israel e a Doutrina da Trindade“.

Na verdade, o que percebemos é que as religiões do passado moldaram muito da sociedade como conhecemos hoje, nossas datas comemorativas, costumes, feriados, ditados populares, etc.

Ainda que algumas divindades tenham sido pessoas reais que foram divinizadas pela imaginação e pelas estórias das civilizações antigas, hoje porém se tornaram mitologias, ou seja, caíram no mito. Por isso, ainda que a origem do Natal atual tenha base nesse conjunto de crenças antigas, por ser comprovado hoje que são mitos, seria pecado continuar envolvido nelas?

Será que os líderes do cristianismo medieval fizeram um serviço à humanidade ocidental, desassimilando o Natal das figuras idólatras antigas, se é que isso aconteceu, ou corromperam a figura do Messias israelita, promovendo um sincretismo religioso?

O que o povo de Deus deve fazer?

Aqui vai uma lista para se refletir e considerar:

Será que temos sido povo de Deus de verdade? Deixe seu comentário mais abaixo dando o seu parecer.

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