Romanos 10.4 realmente defende que o fim da Lei é Cristo? – Leia Agora

 

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10.4 ACF, também na BKJ, NAA, NVI, ARA e tantas outras traduções cristãs). Será que o Messias realmente pôs término à Lei de Deus ou de Moisés? Será que a Torá realmente foi abolida por aquele que deveria vir ao mundo para ensinar os seres humanos a obedecerem o Criador?

O que realmente diz Romanos 10.4 no idioma original?

A palavra original grega usada em Romanos 10.4 é “telos” (embora acreditemos ser o aramaico o idioma original da carta). Essa palavra de fato significa fim, no sentido de término das coisas. Também é encontrada em outros escritos de Paulo com esse sentido, veja por exemplo 1 Co 1:8 e 15:24.

No entanto, telos também significa fim no sentido de finalidade. Veja este exemplo:

“obtendo o fim (finalidade/objetivo) da vossa fé: a salvação da vossa alma.”

(JFA 1Pe 1:9; os parênteses são nossos)

Dentre os significados de telos no Dicionário Strong (G5056), encontra-se também este: “o fim (finalidade) ao qual todas as coisas se relacionam, propósito“ (os parênteses são nossos).

Vejamos então outro texto onde telos aparece e que é usado nesse sentido:

“Ora, o intuito (telos) da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia.”

(JFA 1Tm 1:5; os parênteses são nossos)

Então, qual seria a tradução correta de Romanos 10.4?

Chegando a este conhecimento, podemos usar então uma tradução bíblica mais adequada para o contexto de Romanos 10.4, e não ficar desonestamente interpretando o versículo de modo isolado. Vejamos alguns exemplos de traduções bíblicas que, apesar de serem cristãs também, verteram este versículo de outra forma:

“Pois o propósito (fim/finalidade/objetivo) da Lei é conduzir-nos a Cristo (ao Ungido) para a justificação de todo o crente.”

(Tradução O Livro Rm 10:4; os parênteses são nossos para esclarecimento)

“Pois Cristo é o propósito para o qual a lei foi dada. Como resultado, todo o que nele crê é declarado justo.”

(NVT Rm 10:4)

“Porque a finalidade da Lei é Cristo para a justificação de todo o que crê.”

(Bíblia de Jerusalém Rm 10:4)

Essas traduções são mais adequadas ao contexto, pois no versículo anterior é dito:

“Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.”

(JFA Rm 10:3)

Ou seja, alguns dos judeus não entenderam que a própria Lei tinha como finalidade conduzir todos os crentes ao Messias, a fim de que alcancassem a justificação por meio dele, e não por meio da prática de obras egoístas.

Além do mais, o Messias não pode ter posto fim à Lei de Deus, pois ele mesmo disse que poderiam até passar os céus e a Terra, mas a Lei de Deus não! (Mt 5:18)

Os céus e a Terra já passaram/acabaram?

A bíblia não poderia se contradizer, pois está escrito que as leis de Deus, e seu pacto com seu povo, são para sempre:

“E os estatutos, e as ordenanças, e a lei, e o mandamento, o qual para vós escreveu, vós observareis para cumpri-los pela eternidade; e não temereis outros deuses.”

(2Rs 17:37)

“e tem confirmado o mesmo a Jacó por uma lei, e a Israel por um pacto eterno,”

(1Cr 16:17)

“E confirmou o mesmo a Jacó por uma lei, e a Israel por um pacto eterno,”

(Sl 105:10)

Os discípulos do Senhor ensinaram que “Cristo é o fim da Lei”?

Queremos revelar agora aos nossos leitores quem de fato pôs “fim” à Lei de Deus, que não foi o verdadeiro Messias nem tão pouco seus discípulos. Basta observar que o Messias havia dito que não veio para dar fim, anular ou abolir a Lei; e ele ainda afirma que quem desrespeitasse os mandamentos dela, e assim ensinasse os homens a fazer o mesmo, seria considerado um mínimo (desprezado) no reino de Deus (Mt 5:19).

Os discípulos dele, por sua vez, também não promoveram tal fim da Lei do Criador. Vale lembrar que alguns judeus (eu disse alguns, e não todos) levantaram calúnias a respeito do emissário Saul, conhecido no mundo cristão como “apóstolo Paulo“. Estes diziam que ele não estava obedecendo a Lei de Deus e ensinava outros judeus a desmerecerem-na também. Porém, os próprios líderes dos discípulos disseram que isso era mentira! Basta ver Atos 21:21-24. Além do mais, este mesmo texto afirma que o perfil dos judeus seguidores do Salvador é que eles eram zelosos da Lei de Deus! (cf. v. 20)

E por fim, o próprio Saul (Paulo) declara que não havia feito nada contra o povo israelita e contra as tradições que eles receberam de Deus por meio de seus antepassados (At 28:17), e que a comunidade a qual ele fazia parte servia a Deus de acordo com a Lei, isto é, a Torá (At 24:14).

Então, verdadeiramente, não foram os discípulos do Messias que “deram fim” à Lei de Deus!

Quem pôs “fim” à Lei de Deus de verdade?

Nós já mostramos em outros estudos aqui no blog que o principal pai cristão que inventou o argumento de que a Lei de Deus teve fim foi Inácio de Antioquia, especificamente nos ensinamentos de sua carta aos magnésios, que foi escrita na 1ª década do 2º século de nossa era.

O trecho da carta diz o seguinte:

Não vos deixeis iludir pelas doutrinas heterodoxas, nem pelos velhos mitos sem utilidade. Pois se ainda agora vivemos conforme o judaísmo, confessamos não ter recebido a graça. […]
Assim os que andavam na velha ordem das coisas chegaram à novidade da esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo segundo o dia do Senhor, no qual nossa vida se levantou por Ele e por Sua morte, embora alguns o neguem. Mas é por esse mistério que recebemos a fé e por ele é que perseveramos, para sermos de fato discípulos de Jesus Cristo nosso único mestre. […]
Por isso, tornando-nos discípulos Seus, aprendamos a viver segundo o cristianismo. Pois quem usar outro nome fora desse não é de Deus. Ponde assim de lado o mau fermento, envelhecido e azedado, e transformai-vos em novo fermento, que é Jesus Cristo. […]

É absurdo falar de Jesus Cristo e viver como judeu. O cristianismo não depositou sua fé no judaísmo, mas o judaísmo no cristianismo, junto ao qual se reuniram todas as línguas que creram em Deus.

Carta de Inácio aos Magnésios 8.9.10; fonte: ecristianismo.org.br.

De quantas coisas ruins este homem chama a Lei de Deus?

  • doutrina heterodoxa (anormal ou herética);
  • velhos mistos sem utilidade;
  • velha ordem das coisas;
  • mau fermento, envelhecido e azedado;

Para promover sua nova religião, Inácio argumenta que os costumes que os judeus receberam da Lei do próprio Deus eram esse monte de coisa velha que não servia mais para nada. Este homem sim, bem como seus sucessores, criaram o Cristo que dá fim à Lei de Deus. E este tipo de ensinamento atrevido foi que inspirou traduções como a de Romanos 10.4 visto em várias versões bíblicas, e o pensamento tendencioso cristão que o segue.

Uma coisa é entender quais mandamentos foram dados para a nação de Israel, e quais para o restante da humanidade, isto é, as outras nações; além disso, entender por qual motivo certos mandamentos, como as penas de morte, não são mais praticados hoje em dia. Outra coisa muito diferente é dizer que a Lei de Deus foi abolida pelo homem que deveria defendê-la com sua própria vida e lhe dar significado pleno (o Messias), e com isso desmerecer vários mandamentos de Deus, desrespeitando-o!

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